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Fundo para emergentes quer mais que o “arroz com feijão”

O endereço 19 West 44th Street, em Nova York, é a prova de que números sólidos na economia se traduzem em interesse de investidores estrangeiros pelo país. O local abriga o primeiro escritório de uma gestora de venture capital brasileira fora do território nacional. A Performa Investimentos escolheu a cidade, porque é ali que está boa parte dos investidores que aportaram recursos no Fundo Mútuo de Investimento em Empresas Emergentes Inovadoras, que captou R$ 26 milhões no ano passado.


No momento, os sócios da Performa estão levantando recursos para o segundo fundo — que deve chegar, no mínimo, a R$ 150 milhões. Ele faz parte do Programa BNDES Fundo de Inovação em Meio Ambiente, que tem como objetivo apoiar o empreendedorismo e explorar as oportunidades de investimentos em empresas inovadoras. “Ainda não tem prazo definido, mas deve ser de 10 anos. Vai ser um produto diferenciado”, afirma Humberto Matsuda, sócio da Performa. “Muita gente fala sobre tecnologias limpas e acaba investindo em biocombustíveis e energia solar. Vamos investir em tudo menos isso. Estamos de olho em empresas que atuam na diminuição da poluição dos carros, na redução do consumo, em como medir a pegada de carbono de cidade inteira e na gestão de resíduos sólidos. Não vamos fazer arroz com feijão.”
 

Matsuda não fala abertamente sobre retornos, mas aponta que é “agressivo”, uma vez que o investimento em empresas pouco maduras é arriscado. “Por isso, o retorno tem vários múltiplos.” Sobre essa cadeia de investimento— que começa com a empresa iniciante, passando pelo investidor- anjo e venture capital até chegar a um private equity —, o executivo diz que, por muitos anos, andou de lado no Brasil. “O país entrou no circuito internacional por causa dos indicadores macroeconômicos e porque muitas empresas brasileiras começaram a atuar em mercados semelhantes ao de companhias americanas. Com isso, houve maturidade mais rápida.”
 

Os recursos — que até então eram bastante escassos—começaram a chegar ao Brasil. Resultado: pela primeira vez, as venture capitals passaram a disputar as startups. “A disponibilidade de dinheiro foi grande e rápida, principalmente naquelas companhias de mídia, redes sociais e compras coletivas. No nosso caso que o interesse é sustentabilidade e biotecnologia ainda estamos sozinhos. Tanto é que temos ajudado outros venture capitals a coinvestir.”
 
 
Matsuda conta que a Performa leva os empreendedores para os Estados Unidos para ganharem experiência. “No Vale do Silício (onde nasceram grandes empresas de tecnologia), eles encontram outras startups e aprendem o que deve ser incorporado na empresa deles e o que é dispensável. O Brasil já tem muitas parcerias com Argentina e Chile, na América do Sul”, diz.


Além disso, o executivo conta que está aumentando o número de investidores-anjo no Brasil. “Mas o modelo de associações de investidores-anjo não deslanchou no país. Acho que o Brasil deve acabar adotando o modelo de listas que não giram em torno de uma associação. Neste caso, é um mailing partilhado que recebe os Power Points dos empreendedores.”
 


Uma estreia promissora com a captação de R$ 26 milhões


Empresas iniciantes de biotecnologia, nanotecnologia, saúde (farmacêutica, equipamentos para área médica), sustentabilidade, tecnologias limpas (smart grids, energia limpa, água) e internet estão no radar da equipe da Performa Investimentos. A gestora de venture capital vai aportar R$ 26 milhões nas companhias. “Podemos investir até R$ 4 milhões em cada uma, mas preferimos que o aporte seja de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões”, afirma Humberto Matsuda, sócio da gestora. No momento, cinco empresas já foram selecionadas. Uma delas é CVD Vale, empresa de tecnologia que faz pesquisa e desenvolvimento de materiais avançados, especialmente o diamante CVD. “Eles fazem brocas de dentista, revestimento e brocas do pré-sal. As outras quatro empresas são da área de internet, biotecnologia e sustentabilidade”, diz sem dar mais detalhes. A captação dos R$ 26 milhões foi feita no Brasil e no exterior. “Somos o primeiro fundo de venture capital a fazer oferta pública.


Sem falar que o tíquete inicial era de apenas R$ 20 mil. Com isso, atraímos investimento de 58 investidores-anjo”, diz. “Estrangeiros estavamprocurando oportunidade no Brasil, como o BNY Mellon que fez a distribuição. Cerca de 20% do fundo vem de fora, dos Estados Unidos mais especificamente.”
 
 
14/05/2012
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